CConfissões de uma mamãe quase adolescente

Aventuras de uma mamãe meio bicho grilo
 

Quarta-feira, Fevereiro 16, 2005

Um marido carnívoro, uma mãe natureba, um bebê e o prejuízo na churrascaria


Noite de carnaval no Rio de Janerio. Pais foliões com um bebê de 9 meses já não podem pular como há alguns anos.
Mas há um consenso. Ninguém quer ficar em casa na noite de carnaval.
Roupa no bebê. Bebê no carrinho. Carrinho na rua. Pra onde?
Ninguém sabe. Ladeira abaixo. Rua principal. Um marido tímido pergunta o que fazer .
- Não sei, mas estou com fome.
Tocamos a dirigir o carrinho sem destino. O marido continua tímido. Faz alguns volteios e ousa perguntar à mãe natureba.
- Será que na churrascaria tem alguma coisa que você coma.
Convite aceito! Deve ter um peixe.
- Mas será que vai valer a pena? Ainda tem a Maiara...
- Vamos! Eu me viro com peixe e salada! E além de tudo o bebê não paga...
Bebê no colo, carrino no braço, todos no ônibus. Rumo ao rodízio.
Na entrada, a pergunta:
- Tem alguma coisa pra quem não come carne vermelha e nem frango?
- Salmão grelhado!
Preço com desconto a noite. Estava feito o programa da sexta de carnaval! Churrascaria rodízio com direito a salmão grelhado pra mãe natureba.
Bebê na cadeira alta, fralda pra amarrar e tudo pronto para o início do banquete.
Mamãe no buffet. Verdes, mais verdes e muzzarela de búfala.
Mamãe na mesa e o bebê gritando.
- Calma, Maiara. Já vai.
E esse foi o início da comilança; rúcula com muzzarela de búfala.
O bebê quer mais. Mamãe volta ao buffet. Mais salada pras duas.
Mas ainda não paga o preço do rodízio. Cadê o salmão grelhado? Mandam fazer...
E lá vem a carne! E o bebê se desespera! Frango, picanha, maminha, file, alcatra...
Javali?
- Bá, bá, bá!
Javali, sim, por favor...
E chega o salmão. Tocamos mamãe e bebê a comer. Queremos mais!
E lá vem salmão! Tem que valer a pena! Queremos mais! E mais salada...
- Alcatra, senhor?
- Bá, bá, bá!
O bebê quer...
Salmão?
- Por favor.
Maminha?
- Bá, bá, bá!

Resultado da noite? Prejuízo. Pra churrascaria...
Acho que nunca mais caem no conto da mãe natureba e seu bebê....

Maiara comendo

Postado por Renatinha, em 8:55 PM

Quinta-feira, Janeiro 20, 2005

Como os nossos pais...



Um dos medos que mais me atormentaram durante a gravidez e volta e meia ainda dá as caras na criação da minha filha é o de repetir a minha mãe. Não que eu ache que ela fez tudo errado, mas pretendo melhorá-la e não repeti-la.
Porém as vezes é inevitável... Sabe aquele papo que mãe só muda o endereço? Então...
Há uma história clássica da minha infância passada no Jardim Botânico no Rio de Janeiro.
Minha mãe dirigia uma fiat 147. Minha irmã e eu ocupávamos o banco de trás e nos preparávamos para deixar o estacionamento.
Minha irmã então resolveu que queria tomar um picolé. Dentro do parque que tínhamos acabado de sair.
- Tatiana, não tem como voltar. Pra voltar tem que comprar outra entrada e a gente já está indo embora.
- Eu quero! Eu quero ! Eu quero!
Birra de criança de três anos é de enlouquecer qualquer um. Minha irmã esperneava, se debatia, berrava e minha mãe irredutível com as mãos no volante.
- Não pode! Estamos indo embora já.
- Eu quero! Eu quero! Eu quero!
O escândalo não cessava. Os gritos aumentavam de volume e caminhavam para tons ainda mais agudos e estridentes! As pernas, os braços, o corpo inteiro se mexia incessantemente dando tapas no ar e no que estivesse pela frente. Eis que, enlouquecida, minha mãe resolve avisar:
- Eu vou bater com o carro nesse poste aqui em frente.
- Não vai, eu duvido! Quero meu picolé!
- Eu vou bater, hein? Quer ver?
E lá foi o carro para o poste e a história pro livrinho de histórias de família.
15 anos depois eu que assisti a tudo estou com minha filha nos braços.
Berros, o escândalo, gritos estridentes, choro, muito choro.
E eis que, enlouquecida, eu aviso:
- Eu vou chorar também, hein? Você sabe chorar? Eu também sei! BUÁ, BUÁ, BUÁ
Igualzinho minha mãe...


Eu e a minha mãe




Postado por Renatinha, em 6:57 PM

Caçadora de assuntos


Caçadora de assuntos. É assim que ando me sentindo. Sabe aquela pessoa que adora perguntar as horas ou comentar do calor pra ver se arruma uma conversa na fila do banco?
Pois é. Estou igualzinha! Meus assuntos são um pouco diferentes porque confesso que uso minha filha pra arrumar um papo por aí... Quem não quer falar com um bebê? E todo mundo tem uma história pra contar do filho, do neto, do afilhado.
É até fácil.
Eu comento com o bebê sobre seu dente que está nascendo, o cabelo que está enorme, o peso que ganhou... Sempre se segue um comentário de alguém próximo e pronto: está iniciada a conversa! Alegria da mãe coruja que pode comentar as novidades do bebê e felicidade total da mulher tagarela que precisa de alguém com um vocabulário mais extenso que ¿agá, mama e papa¿ pra bater papo.
Já me peguei divulgando as maravilhas do parto natural e da amamentação exclusiva às mais variadas pessoas, mas também já tive debates produtivos sobre cheiros de cocô de bebê ou as maravilhas do mamão, por exemplo.
Definitivamente acho que toda mãe merece retomar as atividades, voltar pra faculdade ou trabalhar fora.

Postado por Renatinha, em 2:06 PM

Domingo, Janeiro 09, 2005

Descobrindo a gravidez


2 Linhas!



Banheiro de shopping. Tem lugar melhor que esse pra se descobrir uma gravidez?
Instinto materno aguçado, teste de farmácia em punho e lá vamos nós para o banheiro.
Xixi no copinho, mãos lambuzadas, mas vale a pena: só assim poderia saber se minhas intuições estavam corretas. Nem me perguntem como acertei o copinho naquele dia...
2 linhas! 2 linhas! Tá lá dentro!
Guarda as duas linhas na bolsa, enxuga as mãos no papel para não sair lambuzada de xixi, controla a emoção, sai da casinha. Mãos lavadas, cara de grávida. Todo mundo percebe que estou grávida! O mundo inteiro sabe que acabei de lambuzar as mãos pra fazer xixi num copinho...
Louca, eu? Sou sim, e daí? Louca, mas feliz!
Como contar ao pai agora?
Loja de artigos infantis... Um sapatinho, por favor. De cor neutra.
Sapato embrulhado, teste na caixa e lá vamos nós contar à outra parte interessada.
Uma batida na porta do trabalho. É ele quem abre. Sem palavras, a caixa é entregue.
Aberto o presente, o olhar. Cumplicidade.
Agora seriam nove meses de espera, emoções e muitos enjôos pela frente.



Família com Maiara ainda pequena na barriga


Postado por Renatinha, em 1:35 PM

Terça-feira, Dezembro 28, 2004

Lembranças da Barriga...


Barulhos de ultra-som ou Maravilhas tecnológicas (?)



Capricho materno! Só assim posso definir uma ultra 3d feita as 28 semanas de gestação sem indicação médica.
Sim, admito que fui eu quem pediu ao médico que me passasse o pedido para ultra 3d.
Por puro capricho resolvi que queria exibir no álbum uma foto do bebê em sua vida intra-uterina.
E foi por esse capricho que acabei levando uma a primeira lição da minha filha.
28 semanas completas de gestação e uma mãe coruja busca um horário pra ¿bater a foto¿ de sua filha nas últimas semanas do ano. Depois de uma porção de ¿não fazemos esse exame, não aceitamos plano e não temos horário¿, exame marcado para uma tarde engarrafada num bairro distante.
Fita VHS dentro da bolsa e toca a sacolejar dentro do ônibus até lá. Depois, dá-lhe espera até o chamado: Renata Dias Gomes.
Radiante, adentrei o consultório, despi a barriga e deitei na cama esperando ver naquele monitor a foto que guardaria pra sempre como a ¿primeira imagem definida¿ do meu bebê.
Medida da perna, medida do braço, medida da cabeça. Ei, cadê a foto do meu bebê?
- A posição não está muito boa. Não sei se vai dar pra ver o rosto direito.
Uma hora de ônibus pra nada?! Eu quero a foto do meu bebê! ! !
Eis que se inicia o incômodo. Aparelho de ultra-som mexe daqui, aperta dali, cutuca acolá.
E a bebê? Coloca as mãos no ouvido, tapa o rosto e nada de foto!
- Doutor, ela parece incomodada...
O aparelho mexe mais, aperta o outro lado, procura o rosto, cutuca mais um pouco.
E a bebê? Mexe os bracinhos vigorosamente, aperta os ouvidos, tapa o rosto. E nada de foto!
- Doutor, será que o barulho não está incomodando? Será que não é muito alto?
- Ah, faz muito barulho... Mas ela já deve estar até acostumando...
Vesti a barriga, agradeci e desci da cama.
E assim foi o último ultra-som que fiz na gravidez.

Postado por Renatinha, em 9:25 AM

Segunda-feira, Dezembro 20, 2004

VAI UM REFRI AÍ?



Quase 8 meses. Quase 8 meses de bagunça, cuidados e dedicação de uma mãe um tanto quanto atolada e relaxada. Tem mãe neurótica com sujeira, o bebê mal vai pro chão. Mãe neurótica com arrumação, o bebê sempre impecável. Mãe neurótica com peso, o bebê sempre enchendo a pança. Pois bem. Sou a louca da alimentação: a bebê não come porcarias.
Aqui é um tal de bebê no chão, bebê na areia, bebê põe tudo na boca, bebê lambuzada na hora da refeição... E a quantidade?! Apenas o que ela quiser. Se quer muito, come muito. Se quer pouco, come pouco também. Mas não ouse comer porcarias. Pelo menos não ainda. Afinal são apenas quase 8 meses.
Festinha entre amigos. Cerveja rolando solta. Todos bebendo. Quer dizer, quase todos. Mamãe careta carrega pra todo canto sua garrafinha de água que agora tem com quem dividir.
Um amigo que não via há tempos aqui, um elogio à bebê ali, uma brincadeira acolá... E eis que um copo avança em direção à boca da bebê.
Opa! Mamãe bicho interrompe o caminho com a mão e vem o pedido:
- Posso dar pra ela?
- Claro que não!
- Não é cerveja, é guaraná!
- Claro que não também!

É, cada louco com sua mania!


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Postado por Renatinha, em 9:09 AM

Quinta-feira, Agosto 19, 2004

Canguru



Praticidade! É isso que necessita uma jovem mãe atolada se arriscando a cuidar sozinha de um bebê de meses.
Mãos livres, corpo quentinho, bebê confortável. Ainda não inventaram forma mais prática de carregar um bebê do que o canguru. Sábias índias que já amarravam suas crias ao corpo e podiam manter suas atividades. Balançando pernas , braços e cabeça, Maiara sorri satisfeita de andar tão próxima da mãe que tem as mãos livres pra fazer o que quiser. Acho que no fundo ela sabe que está mais segura assim do que no colo de uma mãe mais que enrolada...
Mãe e filha felizes parecer ser sinônimo de motivo pra palpiteiros de plantão.
Já tentei a técnica do sorriso amarelo, a do passar reto, a resposta científica (o médico autorizou e disse que só faz bem...), a explicação calma, a ríspida. Mas acho que nem as índias agüentariam passear com seus bebês pendurados pela cidade.
Todo mundo tem algo a reclamar (e insistir) sobre Maiara, seu cabeção balançante e o canguru.
"Mãezinha, eu sei que você não tem experiência, mas posso te dar uma ajuda? Não pode deixar a cabeça do bebê solta assim que vai fazer mal pra coluninha"
Parece texto decorado!!! Diariamente é essa a ladainha que escuto em cada esquina.
Por causa disso, apesar do aval da pediatra, resolvi analisar calmamente a posição .
Quando dorme, com os braços pendurados nas alças do canguru, Maiara solta e relaxa a cabeça que pende pra trás. Em alguns momentos, a cabeça balança, encosta no peito da mãe, mas logo volta a posição inicial: livre, solta e relaxada caída pra trás.
Após a análise, começo a reflexão: acho que qualquer pessoa normal dormindo em pé soltaria a cabeça assim... OPA! Pessoa normal dormindo em pé?! Sim, eu durmo em pé! E minha cabeça balança, balança...
Pronto, acho que agora está resolvido o problema da posição do canguru... É tudo uma questão de genética!


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Postado por Renatinha, em 8:50 PM

Quinta-feira, Julho 22, 2004

Meu leite secou porque...



Não é difícil entender porque ainda tem tanto bebê que não é amamentado mesmo com tantas campanhas de amamentação!
A falta de informação ainda é enorme e os mitos e crendices circulam e povoam a cabeça de gente de todos níveis etários, sociais e de escolaridade.
Noite do Rio de Janeiro, pego um táxi na Zona Sul com minha filha.
O motorista é daqueles que adora um papo e começa o mesmo blá, blá, blá de sempre... Acho que não se tem muito o que falar sobre um bebê de dois meses mesmo... E pras mesmas perguntas e comentários, sempre as mesmas respostas (acho que vou começar a deixar um gravador).
- Nossa! Como ela é cabeluda
- Já saiu da barriga assim...
- E o parto? Foi normal ou cesárea?
- Natural de cócoras.
- E ela dorme a noite toda?
- Só acorda pra mamar...
- Ah, ela mama no peito?
AQUI CHEGAMOS AO XIS DA QUESTÃO COM O TAL DO MOTORISTA FALASTRÃO!
- Mama! Só peito! Não toma nem água!
- Que bom, assim que é bom... E ela é grandona, né?
- É, tá engordando bem...
- Meu filho com 2 meses já pesava 6,7Kg!
- Nossa! E só com peito???
- Não...
AGORA SENTA QUE LÁ VEM HISTÓRIA!
... Quando ele tinha só um mês e meio minha mulher virou de bruços (?)e minha cama tinha colchão ortopédico, sabe?! Então... Tinha aquele estrado de madeira por baixo e quando ela virou de bruços o leite escorreu ali. E secou! Nunca mais teve leite !
Não, eu não agüentei! Juro que sempre tento me controlar, mas a gargalhada foi inevitável!!!
- AH, eu não acredito nisso!
- Pode acreditar porque aconteceu com a minha mulher e meu filho.
Fiquei sem palavras. Antes de engravidar eu não acreditava que ainda existisse esse tipo de pensamento, mas eles continuam aí passando boca a boca e deixando as novas mamães desesperadas pensando se conseguirão amamentar.




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Postado por Renatinha, em 9:39 AM

Domingo, Julho 11, 2004

O Médico Louco


parte final da minha saga de parto


A conversa entre minha sogra e a enfermeira supervisora continuou
animadamente...
E minha sogra falando do meu médico, disse que não o viu entrar na hora do parto...
A enfermeira aproveitou a deixa pra questionar.
- Ele é meio maluco, né?!
E eu, do meu cantinho...
- Ué, maluco por que?
- Ele não prescreveu nada na sua ficha... Nenhum remedinho...
- E eu estou doente?!
- Mas não tem nada nem pro curativo dos pontinhos...
- Mas eu nem levei pontinhos...
É, só podia ser isso mesmo! A louca do 216 só podia ter um médico tão louco quanto ela pra não lembrar nem do remedinho da cabeça...

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Postado por Renatinha, em 8:17 AM

Quinta-feira, Julho 08, 2004

O Banho no Hospital


3a parte da minha saga de parto


Eis que surge uma louca recém parida carregando um bebê pelo corredor da maternidade muito bem acompanhada por um marido de cabelos, digamos assim, exóticos.

papai e Maiara


Batemos na porta do berçário. É hora da alta e preciso que a Maiara seja pesada e ninguém pode atender porque há 3 crianças tomando banho .
- Oi, vim trazer a minha filha pra pesar que a gente está indo.
- Ô, mãezinha, o berçário está cheio agora. Pode deixar que eu pego no quarto daqui a pouco na hora do banho.
- Mas ela não vai tomar banho.
- Não vai tomar banho?! Então quando a gente for trocar a roupinha dela eu peso.
- Mas eu vou trocar a roupa dela no quarto...
- Ah, é só pra pesar?
- Por isso que eu trouxe aqui.
E eis que a louca recém parida entra no berçário, cumprimenta a pediatra que examina um bebê e confere a pesagem da sua filha pra espanto dos "paizinhos" que assistem pela janela o banho de seus filhinhos.

E essa história do banho rendeu...
Acho que foi o meu primeiro acesso de loucura no pós-parto e nem lembro direito como ocorreu.
Ainda estava totalmente doidona por conta dos hormônios do parto quando avisei a enfermeira que estava na hora do teste de glicose. Pouco depois, ela bateu a porta do quarto pra buscá-la (Maiara fez 3 dosagens de glicose por causa do peso).
- Bom dia, mãe. Bom dia, pai.
- Leva ela lá, Lipe...
- A gente vai só fazer o teste, tomar banho e já volta, tá mãezinha?!
-NÃO! NÃO É PRA DAR BANHO, NÃO!
Até eu me assustei comigo...
A enfermeira baixou a cabeça e acompanhou o pai que levava a filha
até o berçário.

Horas depois, bate a porta do quarto a supervisora de enfermagem do
hospital. Dá de cara com a minha sogra e leva um susto. São velhas
conhecidas. Conversam até que ela me encara na cama.
- AH, então é você !
- Sou eu o que?
- Que teve parto normal...
- É, eu tive parto de cócoras.
- Isso! É você mesma... Poxa, mandaram me chamar... Tá todo mundo
achando estranho... Pediram pra eu falar com você...
- O que foi?
- Você não deixou dar banho no bebê?
- Não!
- Por que? Poxa, deixa só tirar "o sebinho do parto¿!
- É exatamente isso que não é pra tirar.

E NINGUÉM OUSOU DISCUTIR COM MULHER PARIDA...


Na cama da maternidade


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Postado por Renatinha, em 1:50 AM

Quarta-feira, Julho 07, 2004

Como me tornei a louca do 216 parte 2 ¿ ou nariz entupido -



Noite do dia 20. Terminado o horário de visitas, pais de primeira viagem sozinhos com sua cria. E eis que "super bebéia" começa a roncar e percebemos o nariz entupido.
Vesti um robe, peguei Maiara no colo e fomos ao berçário.
- Oi, mãezinha.
- Oi, ela tá com nariz entupido...
- Ah, é pq no centro cirúrgico o ar condicionado é muito forte.
- Mas tava desligado...
- Aqui no berçário o ar também tá forte.
- Mas ela não ficou no berçário.
-AH...
- Você pode pingar um sorinho?
Soro pingado, nariz desentupido e a bebê volta ao quarto no colo da mulher recém parida.

Como pode?! Que mãezinha é essa que não deixa o bebê ficar bem cuidado pelas enfermeiras super experientes do berçário?!


nós na maternidade


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Postado por Renatinha, em 1:23 AM

Terça-feira, Julho 06, 2004

E aí, mãezinha, vamos fazer o curativo dos pontinhos?


Primeira parte da saga na maternidade(ou como me tornei a louca do 216)



9:00 da manhã do dia 21 e eu já de alta. Chamei a enfermeira.
- Oi, aqui é do quarto 216. Queria saber se meu médico prescreveu alguma coisa pra minha alta.
Poucos minutos e ela abre a porta.
- E aí, mãezinha, vamos fazer o curativo dos pontinhos?
- Eu não levei ponto, não...
- Ué, foi normal?! Tiveram 3 normais hoje?
- Não, ela nasceu ontem.
- Tá, entendi... É que é tão difícil ter parto normal aqui...

ESPANTO TOTAL DE AMBOS OS LADOS


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Postado por Renatinha, em 3:44 AM

Quinta-feira, Julho 01, 2004

Eu não sou uma mãezinha, você é?



Torcia o nariz e não entendia porque algumas mães reclamavam de serem chamadas de mãezinha , mamãe ou outro apelido assim. Talvez porque eu não conhecesse as mãezinhas ou não soubesse o que é ser uma delas.
Quando cheguei à maternidade fui logo chamada de mamãe (eu devia ser a mamãe do 216, assim como havia a mamãe do 217, a mamãe do 218, a coitada da mamãe do 219 que a filha não para de chorar). Invés de me orgulhar, me sentia infantilizada, diminuída...

Por que eu não sou uma mãezinha?!


Porque resolvi engravidar aos 19 anos, porque mudei de médico até achar um que aceitasse a forma que decidi pra minha filha nascer (de cócoras), porque eu resolvi que queria amamentá-la exclusivamente ao seio, pq hoje sou eu que a amamento exclusivamente mesmo com muita força contra pra dar comida porque dizem que meu leite é fraco e eu sou desnutrida (e ela já dobrou o peso só com o meu leite ¿light¿), porque vomitei cinco meses seguidos quase diariamente e amei estar grávida, porque não aceitei a idéia de ter uma enfermeira pra me ajudar a cuidar da minha filha, porque fui eu quem decidiu que ela não usaria chupeta, porque fui eu que não pedi e não tomei anestesia no parto, porque fui eu que decidi fazer os exames de ultra-som pra saber se estava tudo bem e também ver o sexo, mas também porque fui eu que resolvi não fazer mais ultras durante a gravidez depois que minha filha ficou claramente incomodada em uma delas, fui eu que não voltei a comer carne para ter uma melhor cicatrização no pós-parto (e acabei nem levando pontos).

Minha lista da maternidade incluía uma mamadeira. Não levei porque a minha Maiara seria amamentada ao nascer. A mãezinha do quarto ao lado levou. E seu filhinho acabou recebendo a mamadeira na madrugada pra calar seu chorinho no berçário. Mas ela queria amamentar, mas ele não quis, mas o leite secou, mas o NAN tb é bom, mas...
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Postado por Renatinha, em 11:27 AM

Terça-feira, Junho 29, 2004

Contando o nascimento!



Primeiro, gostaria de falar sobre...
Meu plano B


Depois de resistir bravamente ao domingão de páscoa em família, quando estavam todos os membros reunidos assistindo Faustão e eu morrendo de
medo de entrar em TP e ter que ir pra maternidade com todo mundo a tiracolo, preciso também de um plano B...
A família já desconfia do meu intuito de ir pra maternidade escondido e avisar a todos só depois do nascimento. Eu deixei claro, depois desse assunto ter entrado em pauta no domingão, que não queria ninguém na maternidade esperando o parto. Mas ninguém se incluiu nesse ninguém. Todo mundo se considera exceção.
No meu plano de parto, a coisa mais importante é que estejamos apenas eu, meu marido, minha doula e a equipe médica. Não quero família nem perto da maternidade para evitar pressão em alguém da equipe que saia do quarto ou ficar sabendo que "vovó está lá na recepção preocupada e mandou dizer que acha melhor resolver tudo logo e não arriscar a vida do bebê pq seu filho número 231 quase morreu de sede porque a bolsa estourou "!
Então, começo a elaborar o plano B pra que ninguém saiba meu paradeiro... Com a desconfiança, possivelmente as ligações ficarão mais freqüentes pra saber se a índia maluca já se enfiou no meio do mato pra parir (bem que eu queria)... E se o telefone não for atendido, o mais provável é que todo mundo apareça de surpresa pensando se tratar de uma emergência.



Última foto antes de ir pra maternidade, depois de 16 horas de trabalho de parto


Enfim, o relato de parto


Entrei em TP às 9:30 da manhã do dia 19 de abril...
Pra quem não lembra da minha história, sou uma mamãe bicho grilo que pretendia ir pra maternidade escondida de todo mundo e só dar notícias depois que Maiara já estivesse feliz e contente no meu colinho!!!!! A idéia de saber que alguém além do meu marido e da minha doula sabiam o que estava acontecendo e faziam alguma expectativa me deixava em parafuso. Podia imaginar a cena do meu pai e dos meus sogros nos corredores da maternidade perguntando aos enfermeiros a quantas andava meu tp e dando alguma opinião! Não! Mil vezes não! Definitivamente preferia ir pra maternidade sem avisar nada e depois dar as boas notícias!
Voltando ao dia 19 de abril... Completava ali 39 semanas ou 9 meses de gestação e no mesmo dia meu maridão completava 25 aninhos!
Depois de escapar do domingão de páscoa em família, entrava em tp em outro momento comemorativo...
Acordei com dores no pé da barriga. Não eram cólicas e tb não sentia dores nas costas. Eram apenas fisgadas no pé da barriga. Ficava de cócoras e misteriosamente a dor se esvaia! Era loucamente maravilhoso sentir aquelas dorzinhas! Maiara enfim parecia querer me cumprimentar do outro lado do mundo... De 20 em 20 minutos eu me agachava com o maior prazer do mundo e deixava a dor passar enquanto minha filha ia abrindo passagem pra sua chegada. Liguei pro médico por volta de 13:30 quando minhas dores continuavam fraquinhas e na mesma freqüência espaçada. Pediu que eu fosse até o consultório por volta de 16:30 pra uma aferida.
Cheguei ao consultório pontualmente e como de costume estava completamente lotado. Logo na entrada veio uma contração um pouco mais forte e eu continuava sorrindo e conversando pra espanto de todo mundo que estava aguardando . Lá pelas tantas, o médico abre a porta e me vê na sala de espera:
- Espero que vc não esteja em tp! Não tem vaga em nenhuma maternidade do Rio de Janeiro.
Pois é... Além de ser o dia do aniversário do maridão, o tal dia 19 de abril antecedia um feriado prolongado no Rio de Janeiro. Resultado disso?! Todas cesáreas eletivas marcadas para aquele dia afim de que os médicos pudessem viajar em paz e gozar alguns dias de descanso.
Na sala de espera, minha calma impressionava. Respirava fundo quando vinha a contração, já que não tinha como me acocorar ali. Respirava, me ajeitava na cadeira e continuava animada conversando e descrevendo as sensações pros homens e grávidas presentes que estavam super interessados!
As 17:30 finalmente fui atendida e o toque feito. Nada de dilatação, bebê muito alto , colo bem grosso. Diagnóstico: deve demorar mais alguns dias ainda...
Mais alguns dias de TP?! NÃO! Mil vezes NÃO! Eu queria ver a Maiara naquela hora se possível. Saí do consultório e fui dar uma caminhada até um shopping próximo pra tomar um açaí e procurar um chá de canela pra dar uma ajudada as contrações. Foram uns 20 e poucos minutos de caminhada até o shopping e a essa altura as contrações já estavam mais próximas. Andar aliviava as dores que ainda eram bem tranqüilas e acabei passeando bastante enquanto era parada por todas as pessoas que queriam saber como eu conseguia passear com aquela barriga e em trabalho de parto.
Tomei o açaí, mas nada do chá de canela. Voltei pra casa e cheguei ao mesmo tempo que minha sogra tocava a campainha com um bolinho pro filhão.
Entramos e a essa altura minhas contrações já estavam vindo de 5 em 5 minutos e bem mais intensas. A melhor posição ainda era de cócoras e foi assim que assisti a novela das 7: sentada no chão nos intervalos e acocorada durante as contrações.
Minha sogra - que passou por duas cesáreas- e meu pai -desesperado por natureza- se espantavam, perguntavam detalhes das dores e não entendiam como eu poderia estar tão tranqüila. Chegaram a cogitar ir pra maternidade, hipótese vetada por mim sem maiores explicações. Quem ia parir era eu, então que eu decidisse a hora de sair de casa e definitivamente não era naquele momento. A essa altura, eu pulava durante as contrações comemorando a futura chegada da minha filha que sentia mais perto a cada vez que as dores se aproximavam . Eta dorzinha gostosa ! Algum tempo depois, chegaram meu sogro e meu marido . Pronto, a família estava reunida, as contrações cada vez mais intensas e uma noite inteira ainda pela frente em TP ouvindo uma super pressão pra sair correndo. Nada disso! Estava decidida a seguir meus planejamentos independente da presença de todos.
Vim para o meu quarto e fiquei batendo papo na internet. Meu marido anotava o intervalo e a duração das contrações e eu soltava sons durante elas pra relaxar. Quando as contrações apertaram mais e os intervalos começaram a baixar dos 5 minutos, liguei para o médico pra deixá-lo de sobreaviso e começar a caçar uma maternidade . Avisei minha doula e continuei contando meu tp online pras pessoas. Quando vinha a contração, me agarrava e me balançava no meu marido projetando a barriga pra frente enquanto ele fazia massagens. Maravilhoso!!! As dores aliviavam, mas não passavam totalmente porque já eram bastante intensas. E quanto mais intensa a contração, mais feliz eu ficava com sua chegada: era mesmo a Maiarinha se aproximando. Os sons que vocalizava durante as contrações pareciam um mantra e me deixavam num misto de relaxamento e ansiedade prazerosa.
De vez em quando, todo esse momento mágico era interrompido por uma batida na porta do quarto.
- É melhor correr pra esse bebê não nascer em casa, Renata. Eu não sei fazer parto, não... Será que isso é assim mesmo?

Não, não é assim... E então vocês não sabiam que antes de inventarem o bisturi os bebês não nasciam?!

Já eram 22:30, as contrações muito fortes e eu tomei a decisão. Cantar o parabéns pra que a festa acabe e meu tp termine no meio do mato como eu queria .

PARABÉNS PRA VC, NESSA DATA QUERIDA...
E o primeiro pedaço vai para... Maiara!!!!
A futura mamãe avessa aos doces aceita já que é pra filhinha... Dá uma garfada e ... Lá vem uma contração daquelas... E...
A BOLSA ESTOUROU!!!!!!

Pronto! Agora vai todo mundo comigo pro meio do mato

Liguei pro médico, as contrações subitamente aliviaram depois que a bolsa estourou e me foi dito pra ficar em casa pra desespero geral e minha felicidade que continuava trancadinha no meu quarto recebendo massagens do maridão .
Ah, claro que isso foi depois de um banho quentinho com várias batidas na porta que só faltavam perguntar se eu não estava vendo o cabelinho

Depois de algumas horas, as contrações voltaram a apertar um pouco e pedi à minha super doula que viesse aqui pra casa. Quando a Vitória chegou, já não dava pra saber direito quando começava uma contração e terminava a outra. A única coisa que eu conseguia fazer era andar freneticamente enquanto meu marido me seguia tentando acompanhar o passo e fazer massagens.

Já se iniciava a madrugada do dia 20 e meu único receio era chegar à maternidade e ouvir que ainda tinha 1 cm e ainda demoraria muito. Avisei ao médico que estava indo e ele conseguiu vaga no lugar que eu queria! As dores eram muito fortes e já não tinha tempo pra descansar. Foi quando a Vitória fez a promessa: não se preocupa que chegando lá a gente faz a mágica pra andar tudo rapidinho.

No caminho, ainda vieram muitas contrações que foram aliviadas com muita massagem e bom astral. Eu estava muito feliz de estar saindo pra conhecer minha gatinha!

Cheguei e fui encaminhada ao quarto com a Vitória e meu marido com direito a "biquinho" de quem ainda tinha alguma esperança de acompanhar tudo.

Antes da primeira contração já no quarto, recebi de "presente" a camisolinha da maternidade que foi na mesma hora descartada.
- Eu não vou usar esse troço , não pq não vou ficar com a bunda de fora!
Coloquei meu robe e e me apoiei de 4 na cama do acompanhante pra mais uma contração. Lipe e Vitória pendurados em cima de mim massageando minhas costas e a porta se abre. É A PLANTONISTA.

- QUE ISSO?!
- Acabou de vir uma contração e assim eu fico mais confortável...
- E como é que vc quer que eu te examine?
- Eu vou ter que ficar muito tempo de barriga pro alto?
- Claro que sim!
Veio uma contração e eu relaxei soltando sons. Isso é importante e ajuda também a relaxar útero e vagina. É essencial deixar a boca toda solta, sem trincar os dentes...
Ao ouvir, reclamou:
- Não faz isso que vc vai cansar sua garganta e não vai ter força na hora! Qdo vier a contração, vc faz força pro bebê sair que vai te ajudar. (eu, hein, alguém me diz da onde ela tirou isso?! )

Ah, coitada, mal sabia ela que tava falando com a louca do quarto 216 devidamente acompanhada pelo médico louco que faz partos normais rsrsrsrsrsrs

Deitei de barriga pro alto pra ser examinada pela "Besta-Fera" e lá veio o diagnóstico depois de ouvir o coração e me tocar: 4 cm...

E FOI AÍ, AS 2 HORAS DA MANHÃ, QUE COMEÇOU A MÁGICA!
Gente, isso funciona mesmo e depois do meu parto li bastante sobre...
Durante as contrações, além de fazer massagens e me ajudar a procurar posições de alívio, Lipe e Vitória faziam um tipo de hipnose conversando com meu útero e eu continuava soltando meus sons, claro! Eu que não ia ficar fazendo força sem querer!

- Essa contração vai ser intensa, eficiente e vai fazer dilatar bastante...
Fiquei entre 30 e 45 minutos ouvindo esse tipo de frase, mas sem conseguir prestar atenção conscientemente porque as contrações eram muito intensas! As massagens maravilhosas eram feitas na direção dos meus quadris pra ajudar a "abrir passagem".
E de repente eis que chega ela, vigorosa, intensa e louca: a tal da vontade de fazer força!!! Comecei a sentir uma fortíssima vontade de evacuar, mas era o bebê querendo passar!!! O expulsivo é a melhor parte do tp! As contrações espaçaram pra me dar tempo de descansar e conseguir empurrar o bebê e também ficaram menos doloridas. Quando vinham, eu sentia a vontade, fazia força e não sentia dor nenhuma!
Eram entre 2 e 2:45, o médico ainda não tinha chegado e eu fazendo a força... Vitória me deu um argumento fortíssimo pra controlar: vc não quer que esse bebê nasça com a plantonista, né?!
MIL VEZES NÃO!
Começaram um outro tipo de massagem . Movimentos redondos nas minhas costas controlaram um pouco até a chegada do médico as 3:00 da manhã.
Um toque, uma ouvidinha no coração e a melhor notícia: 9 cm!
Processo todo... As 2:00 eu cheguei com 4 cm e em uma hora de muita caminhada, variação de posições, massagem e hipnose já eram 9.
- Mário, não acredito! São 9 mesmo? Não acredito!
- Não, tem um só... Tô falando que tem 9... Vou subir pra preparar a sala!
E cada contração e cada força eu ia sentindo Maiara passando... Que delícia! Sem anestesia, o próprio corpo se encarrega de produzir hormônios pra guiar o parto e eles me deixaram como bêbada. Não tinha mais nenhuma censura e nem muita noção do que falava.
Chegou o maqueiro pra me levar . Meu marido esqueceu a câmera no quarto. O maqueiro dá uma paradinha e tome esporro:
- ANDA LOGO, ANDA LOGO, EU NÃO QUERO FICAR DE BARRIGA PRO ALTO! ANDA QUE O BEBÊ VAI NASCER!
As 3:20 já estava na sala de parto. Nada de ar condicionado , umas paredes verdes e disformes, uma cama que não parecia em nada com a de um centro cirúrgico, luz baixinha e um armário que ocupava quase todo espaço junto com 3 balões de oxigênio que a pediatra pediu que fossem retirados pra colocar seu material de trabalho.

Uma enfermeira chega perto e a bêbada - mamãe conta sua aventura...
- Tô com vontade de fazer coco. E sabia que pode acontecer porque eu não fiz lavagem?! Se eu fizer coco não tem problema, né? Tb não tomei anestesia, não fui raspada........

Ah, coitada da mulher que teve que ouvir toda minha ladainha. Mas que ela ficou com cara de espanto, ficou! Acho que ninguém por ali costuma ficar doidona assim...

Mais uma ouvidinha no coração e tudo ok. Um toque, uma contração e fui orientada a fazer força pro bebê chegar à portinha enquanto alguém montava a cadeira de cócoras que tava por lá encalhada.

- Corre aqui pra ver uma coisa.
Meu marido foi chamado pelo médico...
- Nossa, ela é cabeluda...
Coloquei os dedos e pude sentir o cabelinho coroando.

Mais uma contração puxando o braço do médico pra me equilibrar sentada e um esporro.
- Renata, assim eu vou ficar sem mão pra amparar o bebê.

Os braços do médico foram substituídos pelo do seu filho e assistente e do meu marido.
E tome esporro no filho do médico:
- Deixa o braço duro senão eu não consigo levantar! Quer que minha filha nasça comigo deitada e me rasgue toda?!

Não, ele não tinha como responder à louca do quarto 216...

Cadeira de cócoras quase montada, bebê na posição, mais uma vontade de fazer força o maridão pega a câmera e...
TUDO PRETO! DESMAIOU!!!!!
Cadeira montada, fui colocada ali enquanto o médico acudia meu marido na sala ao lado.
Mais uma vontade de fazer força e...
- MÁÁÁÁÁÁÁÁRIO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
O médico chega correndo, se posiciona e a vontade passa...
- Olha pra cá, Renata.
- Não, agora tô sem vontade...
- Olha pra cá, rápido.
- Não, agora eu não quero...
- OLHA PRA CÁ, PORRA!!!!!!!!!
Desci os olhos e lá estava ela, metade dentro metade fora do meu corpo, branquinha, sujinha, pequena, linda e cabeluda!!! A maior emoção da minha vida: amparei a saída da minha filha ainda dentro de mim e trouxe para o meu peito. Reconhecimento e paixão a primeira vista.
O pai ainda tentou voltar pra cortar o cordão, mas ficou tudo preto outra vez...
Não levei pontos, Maiara mamou imediatamente e os primeiros exames foram feitos em cima de mim. Em seguida o pai a levou para ser pesada e medida enquanto eu voltava para o quarto. Novamente o maqueiro.
- Ih, eu quero voltar andando!
- Renata, vc tá sangrando e com a bunda de fora (é, pra ir pra sala de parto eu tive que vestir aquele troço).
TÁ, TD BEM! AÍ JÁ É DEMAIS MESMO RSRSRSRSRS
Desci pro quarto contando pra ele que não fui raspada, não fiz lavagem, não tomei anestesia, não fui cortada, não levei pontos e que tb não fiz coco rsrsrsrs.


Beijos, Renatinha

PS: Pra quem achou estranha a descrição da sala de parto, vale a explicação. Depois vim saber que Maiara nasceu numa espécie de quartinho de entulho que é onde fica encalhada a cadeira de cócoras.................



Na sala de parto antes de sentar na cadeira de cócoras


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Postado por Renatinha, em 11:54 PM

Sábado, Junho 26, 2004

Bebês Modernos



Loja Americana lotada num dia de semana do Rio de Janeiro. Mamãe quase adolescente procura cabides pro quarto do bebê que desata a chorar no carrinho. Faz força, fica vermelha, mas a mãe precisa pegá-la pra que se alivie.
Chegam duas senhoras:
- Ela tá com sede.
Mamãe quase adolescente continua a embalar o bebê que já está voltando a cor normal.
A senhora repete, dessa vez se dirigindo a mim.
- Ela está com sede . Dá água pra ela.
Eu ainda dou atenção...
- Não, só mama no peito.
- Ué, e o que você faz quando ela sente sede? Não toma água?
- Não, não precisa...
- E a chupetinha, cadê?
- Tb não usa chupeta.
Já estou tentando seguir meu caminho, mas ainda dá tempo de ouvir o comentário.
- Mas precisa de chupeta pra botar funchicória. Para choro na hora.
Eis que a outra senhora resolve se manifestar.
- Quantos anos você tem?
E mamãe quase adolescente responde orgulhosa
- 20!
- Então tá explicado... Muito novinha ainda...
E a outra dá a sentença
- E esses bebês modernos acham que não precisam de água...

Pois é, modernosa minha filha...

Postado por Renatinha, em 2:48 PM


Perfil

Maiara

Nascida 20/4/04 de parto de cócoras, amamentada exclusivamente ao seio até 6 meses e ainda mamando

Mamãe Renata

Nascida 12/09/83

Casada, quase adolescente e rebelde sim, pq?!

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