Terça-feira, Junho 29, 2004
Contando o nascimento!
Primeiro, gostaria de falar sobre...
Meu plano B
Depois de resistir bravamente ao domingão de páscoa em família, quando estavam todos os membros reunidos assistindo Faustão e eu morrendo de
medo de entrar em TP e ter que ir pra maternidade com todo mundo a tiracolo, preciso também de um plano B...
A família já desconfia do meu intuito de ir pra maternidade escondido e avisar a todos só depois do nascimento. Eu deixei claro, depois desse assunto ter entrado em pauta no domingão, que não queria ninguém na maternidade esperando o parto. Mas ninguém se incluiu nesse ninguém. Todo mundo se considera exceção.
No meu plano de parto, a coisa mais importante é que estejamos apenas eu, meu marido, minha doula e a equipe médica. Não quero família nem perto da maternidade para evitar pressão em alguém da equipe que saia do quarto ou ficar sabendo que "vovó está lá na recepção preocupada e mandou dizer que acha melhor resolver tudo logo e não arriscar a vida do bebê pq seu filho número 231 quase morreu de sede porque a bolsa estourou "!
Então, começo a elaborar o plano B pra que ninguém saiba meu paradeiro... Com a desconfiança, possivelmente as ligações ficarão mais freqüentes pra saber se a índia maluca já se enfiou no meio do mato pra parir (bem que eu queria)... E se o telefone não for atendido, o mais provável é que todo mundo apareça de surpresa pensando se tratar de uma emergência.
Última foto antes de ir pra maternidade, depois de 16 horas de trabalho de parto
Enfim, o relato de parto
Entrei em TP às 9:30 da manhã do dia 19 de abril...
Pra quem não lembra da minha história, sou uma mamãe bicho grilo que pretendia ir pra maternidade escondida de todo mundo e só dar notícias depois que Maiara já estivesse feliz e contente no meu colinho!!!!! A idéia de saber que alguém além do meu marido e da minha doula sabiam o que estava acontecendo e faziam alguma expectativa me deixava em parafuso. Podia imaginar a cena do meu pai e dos meus sogros nos corredores da maternidade perguntando aos enfermeiros a quantas andava meu tp e dando alguma opinião! Não! Mil vezes não! Definitivamente preferia ir pra maternidade sem avisar nada e depois dar as boas notícias!
Voltando ao dia 19 de abril... Completava ali 39 semanas ou 9 meses de gestação e no mesmo dia meu maridão completava 25 aninhos!
Depois de escapar do domingão de páscoa em família, entrava em tp em outro momento comemorativo...
Acordei com dores no pé da barriga. Não eram cólicas e tb não sentia dores nas costas. Eram apenas fisgadas no pé da barriga. Ficava de cócoras e misteriosamente a dor se esvaia! Era loucamente maravilhoso sentir aquelas dorzinhas! Maiara enfim parecia querer me cumprimentar do outro lado do mundo... De 20 em 20 minutos eu me agachava com o maior prazer do mundo e deixava a dor passar enquanto minha filha ia abrindo passagem pra sua chegada. Liguei pro médico por volta de 13:30 quando minhas dores continuavam fraquinhas e na mesma freqüência espaçada. Pediu que eu fosse até o consultório por volta de 16:30 pra uma aferida.
Cheguei ao consultório pontualmente e como de costume estava completamente lotado. Logo na entrada veio uma contração um pouco mais forte e eu continuava sorrindo e conversando pra espanto de todo mundo que estava aguardando . Lá pelas tantas, o médico abre a porta e me vê na sala de espera:
- Espero que vc não esteja em tp! Não tem vaga em nenhuma maternidade do Rio de Janeiro.
Pois é... Além de ser o dia do aniversário do maridão, o tal dia 19 de abril antecedia um feriado prolongado no Rio de Janeiro. Resultado disso?! Todas cesáreas eletivas marcadas para aquele dia afim de que os médicos pudessem viajar em paz e gozar alguns dias de descanso.
Na sala de espera, minha calma impressionava. Respirava fundo quando vinha a contração, já que não tinha como me acocorar ali. Respirava, me ajeitava na cadeira e continuava animada conversando e descrevendo as sensações pros homens e grávidas presentes que estavam super interessados!
As 17:30 finalmente fui atendida e o toque feito. Nada de dilatação, bebê muito alto , colo bem grosso. Diagnóstico: deve demorar mais alguns dias ainda...
Mais alguns dias de TP?! NÃO! Mil vezes NÃO! Eu queria ver a Maiara naquela hora se possível. Saí do consultório e fui dar uma caminhada até um shopping próximo pra tomar um açaí e procurar um chá de canela pra dar uma ajudada as contrações. Foram uns 20 e poucos minutos de caminhada até o shopping e a essa altura as contrações já estavam mais próximas. Andar aliviava as dores que ainda eram bem tranqüilas e acabei passeando bastante enquanto era parada por todas as pessoas que queriam saber como eu conseguia passear com aquela barriga e em trabalho de parto.
Tomei o açaí, mas nada do chá de canela. Voltei pra casa e cheguei ao mesmo tempo que minha sogra tocava a campainha com um bolinho pro filhão.
Entramos e a essa altura minhas contrações já estavam vindo de 5 em 5 minutos e bem mais intensas. A melhor posição ainda era de cócoras e foi assim que assisti a novela das 7: sentada no chão nos intervalos e acocorada durante as contrações.
Minha sogra - que passou por duas cesáreas- e meu pai -desesperado por natureza- se espantavam, perguntavam detalhes das dores e não entendiam como eu poderia estar tão tranqüila. Chegaram a cogitar ir pra maternidade, hipótese vetada por mim sem maiores explicações. Quem ia parir era eu, então que eu decidisse a hora de sair de casa e definitivamente não era naquele momento. A essa altura, eu pulava durante as contrações comemorando a futura chegada da minha filha que sentia mais perto a cada vez que as dores se aproximavam . Eta dorzinha gostosa ! Algum tempo depois, chegaram meu sogro e meu marido . Pronto, a família estava reunida, as contrações cada vez mais intensas e uma noite inteira ainda pela frente em TP ouvindo uma super pressão pra sair correndo. Nada disso! Estava decidida a seguir meus planejamentos independente da presença de todos.
Vim para o meu quarto e fiquei batendo papo na internet. Meu marido anotava o intervalo e a duração das contrações e eu soltava sons durante elas pra relaxar. Quando as contrações apertaram mais e os intervalos começaram a baixar dos 5 minutos, liguei para o médico pra deixá-lo de sobreaviso e começar a caçar uma maternidade . Avisei minha doula e continuei contando meu tp online pras pessoas. Quando vinha a contração, me agarrava e me balançava no meu marido projetando a barriga pra frente enquanto ele fazia massagens. Maravilhoso!!! As dores aliviavam, mas não passavam totalmente porque já eram bastante intensas. E quanto mais intensa a contração, mais feliz eu ficava com sua chegada: era mesmo a Maiarinha se aproximando. Os sons que vocalizava durante as contrações pareciam um mantra e me deixavam num misto de relaxamento e ansiedade prazerosa.
De vez em quando, todo esse momento mágico era interrompido por uma batida na porta do quarto.
- É melhor correr pra esse bebê não nascer em casa, Renata. Eu não sei fazer parto, não... Será que isso é assim mesmo?
Não, não é assim... E então vocês não sabiam que antes de inventarem o bisturi os bebês não nasciam?!
Já eram 22:30, as contrações muito fortes e eu tomei a decisão. Cantar o parabéns pra que a festa acabe e meu tp termine no meio do mato como eu queria .
PARABÉNS PRA VC, NESSA DATA QUERIDA...
E o primeiro pedaço vai para... Maiara!!!!
A futura mamãe avessa aos doces aceita já que é pra filhinha... Dá uma garfada e ... Lá vem uma contração daquelas... E...
A BOLSA ESTOUROU!!!!!!
Pronto! Agora vai todo mundo comigo pro meio do mato
Liguei pro médico, as contrações subitamente aliviaram depois que a bolsa estourou e me foi dito pra ficar em casa pra desespero geral e minha felicidade que continuava trancadinha no meu quarto recebendo massagens do maridão .
Ah, claro que isso foi depois de um banho quentinho com várias batidas na porta que só faltavam perguntar se eu não estava vendo o cabelinho
Depois de algumas horas, as contrações voltaram a apertar um pouco e pedi à minha super doula que viesse aqui pra casa. Quando a Vitória chegou, já não dava pra saber direito quando começava uma contração e terminava a outra. A única coisa que eu conseguia fazer era andar freneticamente enquanto meu marido me seguia tentando acompanhar o passo e fazer massagens.
Já se iniciava a madrugada do dia 20 e meu único receio era chegar à maternidade e ouvir que ainda tinha 1 cm e ainda demoraria muito. Avisei ao médico que estava indo e ele conseguiu vaga no lugar que eu queria! As dores eram muito fortes e já não tinha tempo pra descansar. Foi quando a Vitória fez a promessa: não se preocupa que chegando lá a gente faz a mágica pra andar tudo rapidinho.
No caminho, ainda vieram muitas contrações que foram aliviadas com muita massagem e bom astral. Eu estava muito feliz de estar saindo pra conhecer minha gatinha!
Cheguei e fui encaminhada ao quarto com a Vitória e meu marido com direito a "biquinho" de quem ainda tinha alguma esperança de acompanhar tudo.
Antes da primeira contração já no quarto, recebi de "presente" a camisolinha da maternidade que foi na mesma hora descartada.
- Eu não vou usar esse troço , não pq não vou ficar com a bunda de fora!
Coloquei meu robe e e me apoiei de 4 na cama do acompanhante pra mais uma contração. Lipe e Vitória pendurados em cima de mim massageando minhas costas e a porta se abre. É A PLANTONISTA.
- QUE ISSO?!
- Acabou de vir uma contração e assim eu fico mais confortável...
- E como é que vc quer que eu te examine?
- Eu vou ter que ficar muito tempo de barriga pro alto?
- Claro que sim!
Veio uma contração e eu relaxei soltando sons. Isso é importante e ajuda também a relaxar útero e vagina. É essencial deixar a boca toda solta, sem trincar os dentes...
Ao ouvir, reclamou:
- Não faz isso que vc vai cansar sua garganta e não vai ter força na hora! Qdo vier a contração, vc faz força pro bebê sair que vai te ajudar. (eu, hein, alguém me diz da onde ela tirou isso?! )
Ah, coitada, mal sabia ela que tava falando com a louca do quarto 216 devidamente acompanhada pelo médico louco que faz partos normais rsrsrsrsrsrs
Deitei de barriga pro alto pra ser examinada pela "Besta-Fera" e lá veio o diagnóstico depois de ouvir o coração e me tocar: 4 cm...
E FOI AÍ, AS 2 HORAS DA MANHÃ, QUE COMEÇOU A MÁGICA!
Gente, isso funciona mesmo e depois do meu parto li bastante sobre...
Durante as contrações, além de fazer massagens e me ajudar a procurar posições de alívio, Lipe e Vitória faziam um tipo de hipnose conversando com meu útero e eu continuava soltando meus sons, claro! Eu que não ia ficar fazendo força sem querer!
- Essa contração vai ser intensa, eficiente e vai fazer dilatar bastante...
Fiquei entre 30 e 45 minutos ouvindo esse tipo de frase, mas sem conseguir prestar atenção conscientemente porque as contrações eram muito intensas! As massagens maravilhosas eram feitas na direção dos meus quadris pra ajudar a "abrir passagem".
E de repente eis que chega ela, vigorosa, intensa e louca: a tal da vontade de fazer força!!! Comecei a sentir uma fortíssima vontade de evacuar, mas era o bebê querendo passar!!! O expulsivo é a melhor parte do tp! As contrações espaçaram pra me dar tempo de descansar e conseguir empurrar o bebê e também ficaram menos doloridas. Quando vinham, eu sentia a vontade, fazia força e não sentia dor nenhuma!
Eram entre 2 e 2:45, o médico ainda não tinha chegado e eu fazendo a força... Vitória me deu um argumento fortíssimo pra controlar: vc não quer que esse bebê nasça com a plantonista, né?!
MIL VEZES NÃO!
Começaram um outro tipo de massagem . Movimentos redondos nas minhas costas controlaram um pouco até a chegada do médico as 3:00 da manhã.
Um toque, uma ouvidinha no coração e a melhor notícia: 9 cm!
Processo todo... As 2:00 eu cheguei com 4 cm e em uma hora de muita caminhada, variação de posições, massagem e hipnose já eram 9.
- Mário, não acredito! São 9 mesmo? Não acredito!
- Não, tem um só... Tô falando que tem 9... Vou subir pra preparar a sala!
E cada contração e cada força eu ia sentindo Maiara passando... Que delícia! Sem anestesia, o próprio corpo se encarrega de produzir hormônios pra guiar o parto e eles me deixaram como bêbada. Não tinha mais nenhuma censura e nem muita noção do que falava.
Chegou o maqueiro pra me levar . Meu marido esqueceu a câmera no quarto. O maqueiro dá uma paradinha e tome esporro:
- ANDA LOGO, ANDA LOGO, EU NÃO QUERO FICAR DE BARRIGA PRO ALTO! ANDA QUE O BEBÊ VAI NASCER!
As 3:20 já estava na sala de parto. Nada de ar condicionado , umas paredes verdes e disformes, uma cama que não parecia em nada com a de um centro cirúrgico, luz baixinha e um armário que ocupava quase todo espaço junto com 3 balões de oxigênio que a pediatra pediu que fossem retirados pra colocar seu material de trabalho.
Uma enfermeira chega perto e a bêbada - mamãe conta sua aventura...
- Tô com vontade de fazer coco. E sabia que pode acontecer porque eu não fiz lavagem?! Se eu fizer coco não tem problema, né? Tb não tomei anestesia, não fui raspada........
Ah, coitada da mulher que teve que ouvir toda minha ladainha. Mas que ela ficou com cara de espanto, ficou! Acho que ninguém por ali costuma ficar doidona assim...
Mais uma ouvidinha no coração e tudo ok. Um toque, uma contração e fui orientada a fazer força pro bebê chegar à portinha enquanto alguém montava a cadeira de cócoras que tava por lá encalhada.
- Corre aqui pra ver uma coisa.
Meu marido foi chamado pelo médico...
- Nossa, ela é cabeluda...
Coloquei os dedos e pude sentir o cabelinho coroando.
Mais uma contração puxando o braço do médico pra me equilibrar sentada e um esporro.
- Renata, assim eu vou ficar sem mão pra amparar o bebê.
Os braços do médico foram substituídos pelo do seu filho e assistente e do meu marido.
E tome esporro no filho do médico:
- Deixa o braço duro senão eu não consigo levantar! Quer que minha filha nasça comigo deitada e me rasgue toda?!
Não, ele não tinha como responder à louca do quarto 216...
Cadeira de cócoras quase montada, bebê na posição, mais uma vontade de fazer força o maridão pega a câmera e...
TUDO PRETO! DESMAIOU!!!!!
Cadeira montada, fui colocada ali enquanto o médico acudia meu marido na sala ao lado.
Mais uma vontade de fazer força e...
- MÁÁÁÁÁÁÁÁRIO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
O médico chega correndo, se posiciona e a vontade passa...
- Olha pra cá, Renata.
- Não, agora tô sem vontade...
- Olha pra cá, rápido.
- Não, agora eu não quero...
- OLHA PRA CÁ, PORRA!!!!!!!!!
Desci os olhos e lá estava ela, metade dentro metade fora do meu corpo, branquinha, sujinha, pequena, linda e cabeluda!!! A maior emoção da minha vida: amparei a saída da minha filha ainda dentro de mim e trouxe para o meu peito. Reconhecimento e paixão a primeira vista.
O pai ainda tentou voltar pra cortar o cordão, mas ficou tudo preto outra vez...
Não levei pontos, Maiara mamou imediatamente e os primeiros exames foram feitos em cima de mim. Em seguida o pai a levou para ser pesada e medida enquanto eu voltava para o quarto. Novamente o maqueiro.
- Ih, eu quero voltar andando!
- Renata, vc tá sangrando e com a bunda de fora (é, pra ir pra sala de parto eu tive que vestir aquele troço).
TÁ, TD BEM! AÍ JÁ É DEMAIS MESMO RSRSRSRSRS
Desci pro quarto contando pra ele que não fui raspada, não fiz lavagem, não tomei anestesia, não fui cortada, não levei pontos e que tb não fiz coco rsrsrsrs.
Beijos, Renatinha
PS: Pra quem achou estranha a descrição da sala de parto, vale a explicação. Depois vim saber que Maiara nasceu numa espécie de quartinho de entulho que é onde fica encalhada a cadeira de cócoras.................
Na sala de parto antes de sentar na cadeira de cócoras
Postado por Renatinha, em 11:54 PM
Sábado, Junho 26, 2004
Bebês Modernos
Loja Americana lotada num dia de semana do Rio de Janeiro. Mamãe quase adolescente procura cabides pro quarto do bebê que desata a chorar no carrinho. Faz força, fica vermelha, mas a mãe precisa pegá-la pra que se alivie.
Chegam duas senhoras:
- Ela tá com sede.
Mamãe quase adolescente continua a embalar o bebê que já está voltando a cor normal.
A senhora repete, dessa vez se dirigindo a mim.
- Ela está com sede . Dá água pra ela.
Eu ainda dou atenção...
- Não, só mama no peito.
- Ué, e o que você faz quando ela sente sede? Não toma água?
- Não, não precisa...
- E a chupetinha, cadê?
- Tb não usa chupeta.
Já estou tentando seguir meu caminho, mas ainda dá tempo de ouvir o comentário.
- Mas precisa de chupeta pra botar funchicória. Para choro na hora.
Eis que a outra senhora resolve se manifestar.
- Quantos anos você tem?
E mamãe quase adolescente responde orgulhosa
- 20!
- Então tá explicado... Muito novinha ainda...
E a outra dá a sentença
- E esses bebês modernos acham que não precisam de água...
Pois é, modernosa minha filha...
Postado por Renatinha, em 2:48 PM
Eu não sou uma mãezinha, você é?
Torcia o nariz e não entendia porque algumas mães reclamavam de serem chamadas de mãezinha , mamãe ou outro apelido assim. Talvez porque eu não conhecesse as mãezinhas ou não soubesse o que é ser uma delas.
Quando cheguei à maternidade fui logo chamada de mamãe (eu devia ser a mamãe do 216, assim como havia a mamãe do 217, a mamãe do 218, a coitada da mamãe do 219 que a filha não para de chorar). Invés de me orgulhar, me sentia infantilizada, diminuída...
Por que eu não sou uma mãezinha?!
Porque resolvi engravidar aos 19 anos, porque mudei de médico até achar um que aceitasse a forma que decidi pra minha filha nascer (de cócoras), porque eu resolvi que queria amamentá-la exclusivamente ao seio, pq hoje sou eu que a amamento exclusivamente mesmo com muita força contra pra dar comida porque dizem que meu leite é fraco e eu sou desnutrida (e ela já dobrou o peso só com o meu leite ¿light¿), porque vomitei cinco meses seguidos quase diariamente e amei estar grávida, porque não aceitei a idéia de ter uma enfermeira pra me ajudar a cuidar da minha filha, porque fui eu quem decidiu que ela não usaria chupeta, porque fui eu que não pedi e não tomei anestesia no parto, porque fui eu que decidi fazer os exames de ultra-som pra saber se estava tudo bem e também ver o sexo, mas também porque fui eu que resolvi não fazer mais ultras durante a gravidez depois que minha filha ficou claramente incomodada em uma delas, fui eu que não voltei a comer carne para ter uma melhor cicatrização no pós-parto (e acabei nem levando pontos).
Minha lista da maternidade incluía uma mamadeira. Não levei porque a minha Maiara seria amamentada ao nascer. A mãezinha do quarto ao lado levou. E seu filhinho acabou recebendo a mamadeira na madrugada pra calar seu chorinho no berçário. Mas ela queria amamentar, mas ele não quis, mas o leite secou, mas o NAN tb é bom, mas...
Postado por Renatinha, em 3:20 AM
Quinta-feira, Junho 24, 2004
O Primeiro Dia dos Namorados
12 de junho, sábado, dia dos namorados e eu como sempre no meu fogo típico de uma " quase adolescente" cheia de hormônios.
Recebi alta 15 dias após o parto e já no 16o minha vida parecia que ia continuar como sempre : recheada de muito sexo!
Voltando ao 12 de junho... Depois da primeira mamada as 7 horas, coloco o bebê pra dormir enquanto o pai ainda sonha e vou à malhação nossa de cada dia. 1, 2, 3, 4 esse dia vai ser maravilhoso! 5,6 vou planejar um almoço gostoso, comer juntinho na mesa e depois mandar ver!
7,8,9,10... A malhação continua a toda e a cada dorzinha na musculatura eu me sinto mais preparada pro super dia . Coitado do maridão!
9:30 e desce um zumbi carregando um bebê chorando e procurando seu potinho de comida. Sento no sofá, amamento e a coloco novamente pra dormir. Maiara, hoje não dá pra brincar!
Hora do almoço, vamos os dois pra cozinha enquanto Maiara dorme quietinha no berço. Vale lembrar que depois da malhação ainda não rolou aquela água no corpo..... Opa, beija daqui, agarra dali, sobe no armário e ........ esse é o dia! Coitado do maridão!!!! Delícia, delícia, delícia!!!!!!
O almoço tá no fogo e depois da sessão de prazer vou ao chuveiro pra dar tempo dele se recuperar e eu voltar com tudo! Ele que me aguarde! Coitado do maridão!
Banho tomado, o bebê dorme como um anjo no berço. Quanto tempo que eu não colocava aquela calcinha preta! E o sutiã, então?! Ultimamente meus sutiãs cheiram a leite, tem uma concha por baixo, uma super sustentação, janelinhas e não tem nada de sensuais......
Calcinha preta de amarrar, sutiã que dá aquele tchan, saia justinha, blusa decotada, hoje é meu dia! Coitado do maridão!
Desço as escadas, o almoço tá na mesa (verdade, meu homem cozinha e põe a mesa!!!)... Sentamos pra comer juntinhos e... UEIN!!!!!! UEIN!!!!!!
Tá, apenas um bebê com fome... Cuidado pro maridão não ver a super produção por baixo da roupa... Pego o bebê, sento no sofá, abaixo o sutiã com cuidado pra armação não machucá-lo e começo a amamentar. Olhinhos fechando, fechando, fechando... Serão mais 3 horinhas de sono. Se 10 minutos já dá pra fazer muita coisa (ainda mais quando se é "quase adolescente"), imaginem 3 horas!!! Coitado do maridão!
Dormiu, dormiu!!! Não grita pra não acordá-la! Comemora pra dentro , Renata... Cuidado pra colocar no carrinho... Ajeito a blusa e volto pra mesa. O almoço tá delicioso, mas a melhor parte vai ser a sobremesa: 1,58 de altura, 60 de cintura .
Acabado o almoço, olhos nos olhos e... Enquanto isso no carrinho.... Olhos bem abertos, atentos e ...
UEIN, UEIN, UEIN
E vem pro peito de novo, ela precisa dormir ... E a constatação : o sutiã é preto, sexy, tem armação, mas... Aperta e não deixa o leite sair... Preciso me transformar em potinho de comida novamente: sutiã cheirando a leite, com concha por baixo, uma super sustentação, janelinhas......
AI, COITADO DO MARIDÃO....... E DE MIM..........................................................................
Postado por Renatinha, em 2:11 AM
Terça-feira, Junho 22, 2004
Medos de gravidez
Grávida paranóica e angustiada, lá vou eu fazer a ultra-sonografia morfológica; o tal do exame que dá pra ver todos órgãos e saber se o bebê é perfeitinho. Preciso dele!
O bebê pode se incomodar com o barulho, não se sabe se a ultra pode causar algum problema no futuro, sei que pode apresentar resultados falsos, não vou mudar nada mesmo que saiba que ele tem algum problema, mas faço questão de fazer a ultra! Afinal, o bebê é meu, a paranóia é minha e preciso do resultado do exame pra relaxar e curtir o resto da minha gestação.
- Bexiga, rins, cérebro... Tudo certo com seu bebê, D. Renata.
- Tá bom, doutor. Isso tudo aí eu já sabia que ele tinha. Mas eu ainda tenho um medo e uma dúvida que me trouxeram aqui.
- Pergunta, então...
- Doutor, esse bebê não é anão???
Não, eu não tenho caso de anão na minha família, não conheço nenhum anão, não tenho nada contra eles... Mas juro que era esse meu único medo e martelava minha cabeça desde as primeiras semanas de gravidez.
Postado por Renatinha, em 2:18 AM
Sexta-feira, Junho 18, 2004
Pesadelo de uma grávida nada convencional
Receita de bolo: 3 vezes ao dia um vômito seguido por uma queda de pressão . Mistura tudo e se tem um desmaio e uma mistureba no chão do banheiro, do quarto, da sala, do shopping, do ônibus...
Foi assim que passei os 3 primeiros meses da minha gravidez. Portadora de hiperemese gravídica. Nome pomposo pra grávida enjoada...
Não podia andar de ônibus por muito tempo, não aguentava ficar no computador... Comia biscoito cream cracker, picolé de limão e assistia TV o dia inteiro.
Pior é que eu já gosto de falar e grávida só queria falar de gravidez! Mas com quem ?! Acabava ficando em casa pensando abobrinha e foi aí que entrei no grupo de gestantes! Onde eu podia falar (e como eu falava) , entrar em contato com o bebê e colocar pra fora todos meus medos, pesadelos e paranóias...
Então, vamos lá...
Fecha os olhos, relaxa, mão na barriga, entra em contato com o bebê... Pensa em alguma situação de dificuldade no pós parto...
Tá, já pensei! A situação vem clara e real na minha cabeça. Que medo!
A primeira grávida conta sua história... Morre de medo de dar banho na criança, deixá-la cair... Pensa na mãe dando palpite e na criança chorando. Ok, medo de toda futura mamãe.
A segunda, esperando gêmeos, pensa numa visita aos bebês na incubadora... Triste, mas provável, plausível, natural... Medo comum a uma mãe de gêmeos.
E você, Renata? Qual o medo da mamãe quase adolescente?
Gente, não consigo ver nada além da vovó tentando dar mocotó pra Maiara!
É fechar os olhos e pensar... Um minuto que deixo minha filha após uma mamada e pronto!
Lá está ela, linda e chorosa no colo da vovó que cozinha um mocotó enquanto conversa.
- Tua mãe acha que o leite vai te sustentar só com a água que ela bebe?! Vai acabar é te matando afogada, isso sim (eu bebo mais de 7 litros d'água por dia e perdi a conta de qtas vezes escutei que ia matar a criança afogada na barriga rsrsrs)! Você precisa é de mocotó!!!
E quando chego, Inês é morta: minha filha já está arrotando a pata do boi...
Tá, eu não sou mesmo muito normal, mas eu juro: meu pesadelo maior é o mocotó da vovô!!!
Postado por Renatinha, em 12:50 AM
Terça-feira, Junho 15, 2004
Domingão de Páscoa em Família
Eu planejei parir escondido . Sair pra maternidade sem avisar a ninguém e comunicar depois a notícia do nascimento. Eu me arrepiava só de imaginar que alguém além do meu marido e da minha doula poderia saber o que se passava na sala de parto .
Veio a páscoa e a família do meu marido resolveu almoçar com a gente . Junto com a família veio o pesadelo da bolsa estourando em pleno Domingão de Páscoa em Família...
Eu consigo imaginar depois da bolsa estourar na mesa assistindo Faustão (ninguém merece).......
Primeiro, vem o pânico: "corre, liga pro médico, avisa que a gente tá indo pro hospital..."
Meu maridão tenta acalmar a família enquanto eu subo as escadas pra tentar descansar: "Calma, gente! Ainda tem muito tempo até a Maiara nascer..." (e a sogra vem atrás de mim, claro!)
E continua o pânico, agora são meus sogros desesperados:
"Ai, caramba! Esse nenén vai nascer dentro de casa ! E se ela precisar de alguma coisa? Vamos correndo pra saber como ela tá!"
E eu pensando (depois de pedir à sogra pra me esperar no andar de baixo): e se nascer em casa?! Qual o problema?!
Depois do pânico, o terrorismo da vovó.......
"Minha filha número 237 morreu depois do parto porque tava ventando demais que nem aqui... E não ache que eu não sei nada porque eu tive 243 filhos . E todos em casa, eu não tinha filho em hospital, não!
Eu descendo as escadas calmamente ainda me molhando... '"Então, D. Maria... Deixa eu ficar em casa também"
Em uníssono, vem o coro: "Vc tá maluca, Renata?! Vc não pode arriscar a vida da sua filha assim! "
E meu pai sempre desesperado... "Renata, eles estão certos... Sua mãe foi pro hospital logo que começou a sentir as contrações. Você já me explicou td, mas eu queria falar com o médico."
A essa altura eu já estou começando a perder a paciência e louca por um banho... Enquanto levo meu prato pra cozinha, falo alguma coisa no ouvido do meu marido e me preparo pra subir e ligar o chuveiro, mas
não posso deixar de responder: "Pai, qtas horas minha mãe ficou no hospital? E qto tempo eu levei ainda pra nascer ?!"
Meu pai pára, pensa e meu sogro é mais rápido.
"Mas não é sempre assim... Vamos logo." e meu pai completando: "Pelo menos liga pro médico, Renata"
Eu resmungo baixinho que médico é coisa de doente e subo pra tomar meu banho dizendo que vou ligar pro médico. Lá embaixo, a família continua insistindo que meu marido telefone e pegando na extensão
pra saber se eu já liguei... O banho dura apenas 15 minutos, mas nos 3 primeiros eu já ouço
batidas na porta. É minha sogra:
- Renata, tá td bem? Fica calma... Posso entrar? Vc tá precisando de alguma coisa?
- Não, tá td bem. Eu só quero descansar um pouco.
A sogra respira fundo, fala calmamente...
- Renata, vc não acha que está sendo muito radical? Eu tb fui mãe novinha e queria aquela coisa de parto Leboyer... Mas o médico disse que ele tava passando do tempo, que eu era pequena demais e não ia mesmo entrar em trabalho de parto e eu tive que aceitar a cesárea pra salvar meu filho.
- Maria Amélia, fica tranqüila... A Maiara não vai nascer em casa e eu não preciso sair correndo pra salvar a vida dela porque tá td bem.
Agora chega a vovó...
- Essa menina é muito teimosa mesmo... Porque meus 243 fihos nasceram em casa, mas eu sempre chamava a parteira correndo! E olha que a parteira morava perto, mas tinha que correr pra não acontecer nada...
Tá escutando, menina? Você não me dá bola pq tá pensando que eu só tive esses 2 filhos que vc conhece, né?! Mas meu filho 221 nasceu sem eu sentir nada e quase que a parteira não chega a tempo de salvar! Sorte que ela passou lá em casa pra pegar açúcar, porque se ele nascesse sozinho podia ter morrido porque eu tava comendo peixe no
almoço... Vc sabia que comer peixe com bebê quase nascendo pode matar o bebê? Ainda bem que viram que ele tava nascendo a tempo...
Bom, depois de vovó contar toda a história, eu saio do banho e ela quer me examinar... "Deixa ver se ainda tá vazando! Pq se acabar a água o nenén morre de sede!"
Minha sogra percebe que estou ficando irritada apesar do meu semblante calmo: "Mamãe, pára de falar tragédia! Tá td bem com a Maiara e a Renata já vai se arrumar pra ir pro hospital"
Enrolada na toalha, indo pro quarto ainda consigo ouvir comentários no andar de baixo do resto da família.
Parte comenta minha loucura e a outra parte se arruma pra ir ao hospital.
Meu marido sobe pra me encontrar.
- Mãe, espera um pouquinho pra eu falar com ela...
- Tá. Qualquer coisa chama...
Minha sogra começa a descer as escadas e vovó ainda tem um recado: "Felipe, vê se vc coloca um pouco de juízo na cabeça dessa menina pq meu filho 153 ....
NÃO, EU NÃO OUÇO O RESTO DA HISTÓRIA DE VOVÓ. Entro no quarto, meu marido fecha a porta.
- Rê, fica calma... A gente sabe que não precisa sair correndo, mas eles não sabem... Vamos ligar pro médico ,deixa ele falar que a gente pode ficar aqui até vc começar a sentir as contrações e a gente fala isso pra td mundo.
- Tá bom, meu amor. Liga pro médico . Mas eu vou ficar aqui no quarto pq não tô afim de ficar escutando td mundo falando besteira e dizendo que eu sou maluca. Sua avó já contou tdas tragédias que ela conhece sobre parto...
- Tá, fica aqui que eu vou pegar o telefone pra ligar. Agora, tem uma coisa...
- Eu sei. Vai acabar indo td mundo comigo pra maternidade, né?! Tenta falar que ainda vai demorar muito! Diz que o médico disse que é só pra amanhã!!!
- Rê, eles não vão acreditar... Tá td mundo preocupado...
- Ah, mas é o médico falando! Pega lá o telefone, deixa eu ligar logo.
TRIM, TRIM
- Dr Mário, é Renata. Minha bolsa estourou, mas eu ainda não estou sentindo nada...
Do outro lado da linha, o médico responde o que eu já sabia: "Então espera sentir. Qdo vc começar a sentir contrações me liga de novo. Vc ainda tem muito tempo pra entrar em trabalho de parto."
Eu aumento a voz, tento fazer td mundo escutar. Lá embaixo, estão tds no pé da escada pedindo silêncio e tentando escutar minha conversa.
- Obrigada, Dr. Eu já sabia, mas é que tá td mundo aqui querendo que eu vá correndo. Então tá. Então eu tenho que esperar em casa, né?!
Esperar começar a sentir contrações, né?! Então eu vou esperar. Se até o jantar eu não sentir nada, volto a te ligar pra gente ver o que faz... Ah, é pra esperar até de madrugada? Então tá...
Obrigada , Dr .
Desligo o telefone triunfante! Mas ainda posso escutar os comentários. Vovó resmunga : "Esses médicos acham que sabem demais..." A boca de vovó continua fazendo movimentos misteriosamente mesmo sem emitir sons, como se continuasse resmungando mentalmente.
O sogro é mais ponderado: "Se o médico falou, então é melhor a gente terminar de ver o Faustão e esperar"
A irmã berra de longe rindo sarcasticamente"Eu que sou esperta e já tô vendo há um tempão rsrsrsrs"
A sogra não tem tanta calma: "Luizinho, eu ainda não estou confiando nesse médico... Dr Fulano que era ótimo e fez meus 2 partos era mais cauteloso. Ele nunca ia deixar isso acontecer. Se a bolsa estoura tem que saber como tá o bebê"
- Relaxa, Maria Amélia. Ela não vai sair lá do quarto mesmo!
Finalmente alguém me entendeu!!! Deito na cama e tento relaxar enquanto meu marido faz massagens nas minhas costas. Acaricio a barriga e sonho com o rostinho da minha filhinha que está chegando... Meu maridão continua tentando me acalmar...
- Viu, Rê? Ficou td bem... Já está td mundo vendo Faustão e esperando. Td mundo sabe que vc é assim mesmo.
- Pois é, amor... Mas ainda vai ter outro capítulo na maternidade se for mesmo td mundo junto... Eu queria ligar pra minha doula, mas acho até maldade pedir pra ela vir pra cá nessa situação...
- Calma, Renata! Já tá td bem! Td mundo tá te respeitando e a gente pode pedir pra que fique td mundo aqui esperando a doula ligar pra avisar que tá nascendo!
- Boa, amor!
Beijamos apaixonadamente! Apesar de tds percalços, acreditamos que a Maiara vai vir ao mundo com tda tranqüilidade que sonhamos juntos!!!
Começo a relaxar e escuto batidas na porta do quarto. É a sogra.
- Renata, tá mais calma? Posso entrar pra te contar o que Dr Fulano
achava?
PS: Resisti bravamente e Maiara não nasceu no domingão de páscoa em família!
Postado por Renatinha, em 9:39 PM
Aventuras de uma grávida gigante no supermercado
Terça feira, meio dia. SÓ EU TENHO CORAGEM PRA ENCARAR O SUPERMERCADO
MUNDIAL (o menor preço total) em Copacabana !
Grávida de 38 semanas e com uma imensa barriga, lá fomos Maiara e eu as compras.
Uma pesquisa de preço aqui, uma velhinha dizendo que minha barriga só pode ser de menino pq é pontuda ali... Uma mão esticada pra pegar um leite no alto e um comentário de alguém distante que é um absurdo uma grávida de gêmeos andando sozinha... Entre um corte de frios e outro, a tradicional pergunta: pra que dia é? E a mais tradicional
ainda cara de espanto da perguntadora ao saber que não tem dia marcado: ai, credo! Vc é louca! Ainda mais com esse tamanhinho...
Não! Eu não continuo o papo!!! Estou calma!!!
Até aí tudo bem. Nada de diferente... Entro na fila de idosos, gestantes e etc. Em Copabana isso não é nenhuma vantagem ... O funcionário diz que eu não posso ficar na fila nesse estado e me passa a frente na fila normal (pena que essa parte tá acabando).
Começo a passar as compras e a caixa não se contém:
- Nossa, que barrigão! Já tá perto, né?
- Tá
- Você não tem medo de começar a sentir "a dor" no meio da rua?
- Não.
- Mas e se nascer em qualquer lugar? Tem uma mulher que eu conheço que o filho nasceu na primeira dor. Você não pode andar sozinha, não!
- Se eu entrar em trabalho de parto, ainda tem umas 10 horas pro bebê
nascer.
- 10 horas sentindo dor?! Credo! E porque vc não tira logo????
Peguei minhas compras, agradeci e continuei meu caminho.......
essa aí sou eu com 6 meses e meio!
Postado por Renatinha, em 2:15 AM
A Maiara já está com quase 2 meses , mas vou aproveitar esse início do blog pra ir colocando algumas histórisa da gravidez e do parto.
Vamos a uma da gravidez!
Cenas de uma mãe de primeira viagem
Gente, preciso confessar uma coisa! EU ADORO ARRUMAR BARRACO EM ÔNIBUS. Calma, eu explico!
Descobri esse estranho prazer na última terça feira... Sempre defendi os direitos de idosos, gestantes e deficientes viajarem sentados. Mas é claro que minha defesa foi ficando maior e mais forte na mesma proporção que crescia minha barriga.
Terça feira de manhã entrei no ônibus absurdamente lotado como sempre. Aqui no Rio os lugares reservados para grávidas, idosos e deficientes são poucos e ficam antes da roleta. Esses e mais os estudantes de colégios públicos não devem ultrapassá-la. Os demais devem pagar a passagem, girar a roleta e sentar atrás.
Voltando ao dia fatídico... Ao entrar, não tinha como viajar sentada. Estiquei meus bracinhos e meu corpão de menos de 1,60 e segurei firme na barra próxima ao teto. O trocador me olhou com pena, mas continuei lá esperando a boa vontade de algum simpático. Vale aqui um parêntese... Normalmente eu peço o licença e sento! Nesse dia preferi esperar como se estivesse mesmo testando a educação das pessoas.
Lá pelas tantas, duas senhoras sentadas próximas a mim começaram a conferir o dinheiro da passagem. Elas iam passar a roleta e não deviam estar na frente!!! Meu sangue ferveu, mas continuei esperando um sinal de educação. Uma delas se levantou, pagou sua passagem e desceu. Sentei ao lado da outra digníssima.
Foi nesse instante, quando finalmente conseguia relaxar meus pezinhos que entrou meu companheiro de luta: um senhor de mais de 65 anos inteirão com carteira de passe livre na mão. Ele me olhou sentada e cobrou que levantasse. Tirei a bolsa do colo, mostrei "meu estado interessante" e ele me pediu que continuasse sentada, pois carregava mais peso que ele...
Agradeci e continuamos conversando sobre pessoas que não costumam ceder o lugar para quem tem direito. Meu companheiro contou que sempre pedia o lugar e eu concordei dizendo que era mesmo o certo.
Nisso, a senhora ao meu lado juntou seu dinheiro e levantou para saltar dando piti: tem muito velho que tá melhor que gente nova!
Meu amigo e eu nos rebelamos, mas sempre calmos. Ponderamos que era um direito garantido por lei e ela continuou resmungando. Eu não aguentei e disse que por conta dela eu tinha andado mais da metade da viagem de pé e isso não era correto. A infeliz passou a roleta resmungando que gravidez não cansa, que é saúde e saltou... O ônibus td olhou a confusão e se solidarizou com a nossa causa!! ADOREI
Hoje, peguei novamente a condução lotada.... Novamente lotada de jovens saudáveis na parte da frente sentados... CONFESSO: FIQUEI TORCENDO PARA QUE NÃO ME CEDESSEM LUGAR E PUDESSE NOVAMENTE EXIGIR MEUS DIREITOS.....
Acho que eu tenho mesmo vocação para defensora dos fracos e oprimidos
Postado por Renatinha, em 1:05 AM
Segunda-feira, Junho 14, 2004
O que são as Confissões de uma mamãe quase adolescente?
Esse é o novo espaço onde publicarei minhas aventuras e histórias pessoais com a Maiara!
os textos informativos continuarão no blog Mamães Virtuais Online
A adolescência, a gravidez e o pós parto são períodos de grandes mudanças físicas e emocionais .
Imaginem então a vida de uma mamãe recém saída da adolescência, cheia de hormônios e rebelde, sim, e daí?!
bjos
Postado por Renatinha, em 10:17 PM
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Perfil
Maiara Nascida 20/4/04 de parto de cócoras e amamentada exclusivamente ao
seio 
Mamãe Renata Nascida
12/09/83 Casada, quase adolescente e rebelde sim, pq?! Esse blog faz parte
do site Mamãe Online
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Ei, nós temos fotolog!
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